UIA | Roberto Simon dá a sua primeira entrevista na qualidade de Vice Presidente da UIA
17-11-2017

Eleito vice-presidente da União Internacional dos Arquitetos (UIA) para as Américas, o arquiteto e urbanista Roberto Simon encara a realização do 27º Congresso Mundial de Arquitetos, que ocorrerá no Rio de Janeiro em 2020, como importante ativo para congregar os profissionais que atuam no continente americano e para valorizar a produção arquitetônica brasileira. O CAU/RJ conversou com Simon sobre a nova gestão da UIA e os desafios rumo ao UIA2020RIO. Confira, abaixo, a entrevista.

CAU/RJ: Quais são os objetivos como vice-presidente para as Américas da UIA?

Roberto Simon: Embora o desfio seja o de integrar e atender a vasta região americana, é impossível não falar um pouco sobre o Brasil, que vai sediar o 27º Congresso Mundial de Arquitetos em 2020 e poderá ser a conexão entre muitos países nesse período de tempo. O país é uma das maiores economias emergentes, a oitava para ser mais preciso. O Rio de Janeiro e São Paulo estão entre as maiores áreas metropolitanas do mundo, além de apresentarem construção intensa de novas infraestruturas, de empreendimentos residenciais e corporativos, bem como cultural e tecnológico. Temos uma população diversificada, culturas múltiplas e pessoas de diferentes regiões.

CAU/RJ: Quais foram as primeiras diretrizes de Thomas Vonier, e como você pretende colaborar?

RS: O perfil do Thomas é adequado ao momento do planeta. O colega sabe que não podemos perder tempo na busca de soluções aos problemas globais, como o aquecimento global e os altos impactos causados pela construção civil e a urbanização ao meio ambiente. Estamos prontos para ajudar o novo presidente da UIA a implementar um projeto de gestão contemporâneo em nossa organização de forma a acelerarmos as decisões de nossos grupos de trabalho e comissões, que estão conectadas direta ou indiretamente com as organizações internacionais: Unesco, Un-Habitat, Icomos, OMC, entre tantas outras, que contam com nosso aconselhamento.

CAU/RJ: O arquiteto e urbanista brasileiro está preparado para atuar no mercado internacional?

RS: A “globalização” precisa ser apreendida nas dimensões política, macroeconômica, tecnológica, cultural e profissional. Não podemos tratar aqui de um ou outro sucesso isolado. Eles ocorrem. Não nos falta talento. É necessário, mais do que nunca, prepararmos o território para ser explorado. Somos 150 mil arquitetos agora no Brasil, e temos que nos preparar internamente para o momento de abrirmos as comportas para o exterior e para o futuro, que já chegou.

Nos últimos tempos, percebemos uma importante mudança nas formas de trabalho dos arquitetos: consórcios sendo formados, profissionais tornando-se incorporadores, escritórios sendo transformados em coworking. Mais do que criar/projetar em parceria com colegas, os arquitetos têm oficializado sociedades e trabalho em parceria para prospectar negócios, reduzir custos, tornar-se mais eficientes.

CAU/RJ: Passado o UIA2017SEOUL, quais os próximos passos rumo ao UIA2020RIO?

RS: Estamos no divisor de águas. Com o congresso encerrado em Seul, todos os olhos se voltam para o UIA2020RIO. A agenda agora é o Rio, e todas as atividades entram em vibração máxima até 2020. Penso que a data final, julho de 2020, é a praça da apoteose, e a distância que nos separa a passarela. Nos próximos três anos, teremos eventos dentro e fora do Brasil, bem como instrumentos a serem implementados, buscando criar a matrix necessária para discussão no próximo Congresso Mundial de Arquitetos. A cidade do Rio de Janeiro é laboratório vivo. Riqueza e pobreza convivem em grandes extensões urbanas.

CAU/RJ: Qual a importância de sediar, pela primeira vez, o Congresso mundial da UIA?

RS: É a primeira vez que o Brasil vai hospedar um Congresso Mundial da UIA. O último realizado por perto foi há 45 anos. Ou seja, o maior fórum do mundo da Arquitetura e Urbanismo esteve sempre muito longo dos arquitetos brasileiros. Difícil no passado por determinadas razões, hoje por outras. Agora, pretendemos que seja privilégio de muitos. Temos uma quantidade enorme de colegas no Brasil que há anos esperam uma oportunidade como essa. Posso afirmar, da mesma forma, colegas dos países vizinhos aguardam por esse momento. Na nossa região, temos ligações tradicionais com nossos vizinhos e suas associações de arquitetos. A proposta é de inclusão de países, como Chile, Argentina, Equador, Paraguai, Uruguai, Colômbia, participando de forma mais ativa na construção do Congresso.

*